Era assim - VII

By Karla Moura - 09:17


 As selhas da roupa

"Antigamente, (...) não havia água canalizada, nem muito menos pias de lavar roupa, geralmente feitas em cimento, nem sequer tanques públicos, construídos de pedra basáltica, para lavagem e branqueamento da dita cuja.

Assim as mulheres e as raparigas, por vezes ainda muito novinhas, que aos homens essa tarefa era “proibida”, tinham que se deslocar às ribeiras para lavar, branquear e “coarar” (...) a roupa."

Para evitar essas deslocações, muitas vezes longas e demoradas, as mulheres iam lavando em casa a roupa que mais se utilizava, como as fraldas das crianaças que, à época, eram todas de tecido.

Faziam-no em  "grandes selhas de madeira, com a borda bem mais alta do que as outras e que tinham como anexo um lavadouro, também ele de madeira. Este era uma simples e grossa tábua de madeira, rectangular e com variadas ranhuras paralelas e simétricas num dos lados, que a tornava áspera, de modo a que nela se esfregasse a roupa como se um verdadeiro lavadouro de pedra se tratasse e que constituiu a antecessora dos lavadouros de cimento que surgiram, anos mais tarde, a quando do abastecimento de água à freguesia.


As “selhas da roupa” um utensílio de grande utilidade, de uso quase diário na década de cinquenta. Hoje a perderem-se na memória do tempo e reduzidas à expressão mais simples, ou seja a pequenas miniaturas que os artesãos locais vão ostentando e guardando para que a sua memória não se perca."





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