PERTENCER MULHERES DE CÁ E DE LÁ Dia Internacional da Mulher
Tratou-se de reunir as fotografadas, seus familiares e amigos em torno das fotos e de um banquete/performance, criado com a participação de todos e partilhada por todos, num convívio sócio-cultural.
O evento realizou-se a 8 de Março de 2026 no Museu Interactivo do Megalitismo de Mora onde a exposição estará patente ao público até dia 12 de Abril 2026.
Apresentação do evento
Nasci da feliz conjugação dos cromossomas X do meu pai e da minha mãe. Nasci mulher e tenho muito orgulho nisso. Sonhei, em jovem, em alcançar 3 coisas na vida: ter um trabalho que me trouxesse satisfação e me permitisse ser independente economicamente, escrever um livro e fundar uma organização dedicada à inclusão social. Fiz o meu caminho e cheguei aos 63 anos com os meus sonhos realizados.
Fui trabalhadora-estudante enquanto fiz os meus estudos superiores e fiz um mestrado com um bebé ao colo. Sempre apoiada pelos meus pais e, mais tarde, pelo homem que escolhi para partilhar a minha vida. Que sempre tem respeitado a minha independência, as minhas ideias próprias e me tem apoiado ao longo do meu já longo caminho na vida.
Nasci no Rio de Janeiro, Brasil, filha de pais portugueses emigrantes. Trouxeram-me para Portugal tinha eu 6 anos e foi a primeira vez que, eu própria, me tornei imigrante. Aos 41 anos decidi ir trabalhar e viver para a Bélgica, sendo este o meu segundo momento de migração. Ali vivi 20 anos. Posto o momento da reforma escolhi vir viver para Mora, terra do meu coração. A terceira, quem sabe, a última migração da minha vida.
Sou Mulher de cá e de lá.
Defendo a igualdade de género, o direito de tanto mulheres como homens se realizarem pessoalmente, acederem aos mesmos bens, aos mesmos empregos, aos mesmos cargos profissionais, a terem a sua voz e vontade ouvidas pela família, pela sociedade, pelos decisores políticos, em pleno pé de igualdade.
O DIREITO DE PERTENCER À HUMANIDADE EM PLENITUDE
Da junção destas duas realidades, a de ser mulher e a de ser migrante, nasceram as minhas preocupações com a igualdade de género e com a migração. Que são partilhadas por todas as pessoas que possibilitaram a criação deste evento a que chamámos PERTENCER. Nesta aventura embarcaram, num primeiro momento, o Carlos Duarte, administrador da CONESA, que permitiu o acesso às trabalhadoras da empresa e a Margarida Nunes, que incansavelmente fotografou muitas das mulheres que hoje integram a nossa exposição.
A ideia inicial era a de realizar este evento na fábrica do tomate, no final da campanha de Verão. Isso não foi possível. Mas restaram as fotos e a vontade de não as deixar na gaveta.
Como o sonho comanda a vida, lá fomos nós atrás da bola colorida. E se transformássemos esta ideia numa comemoração do Dia Internacional da Mulher?
Aqui chegado, juntaram-se a esta aventura a Margarida Pinto Coelho e a Isabel Barbosa, a quem pedi que idealizassem uma performance em torno do banquete que vamos servir. Elas aceitaram o desafio. Hoje vamos ver o resultado.
Não posso deixar de referir o apoio logístico, o sentido de organização e a partilha de sugestões do António Nobre. Sempre do lado da luta pela igualdade de género e do respeito pelo próximo. Comprometido com este projecto desde o início.
Por fim, e de grande importância para nós, este evento tem a Câmara Municipal de Mora como parceiro e que incluiu este projecto na Programação dos 4 CAMINHOS. É tão importante que os decisores políticos percebam a urgência de intervir nas dimensões da Igualdade de Género e da inclusão social de todas as pessoas. As de cá e as de lá.
Hoje, nesta noite de 8 de Março de 2026, vamos celebrar a mulher, a que luta, a que resiste, a que emigra, a que cuida. A que sorri e agarra a vida com as duas mãos, mesmo quando as dificuldades batem à porta. A que busca a inclusão numa terra onde não nasceu mas à qual quer pertencer. Hoje, vamos partilhar tudo isto com a comunidade onde vivemos, juntando as mulheres de cá e de lá. As suas famílias, as amigas e os amigos.
POEMA
- No Mesmo Chão -
Nem mais, nem menos,
Apenas lado a lado.
O mesmo sol que
brilha sobre a fronte,
A mesma voz que ecoa no horizonte.
Não há força em
correntes,
Mas na liberdade de ser.
O mesmo direito ao sonho e ao saber,
Mulher e homem, no mesmo chão.
Sem jugo ou
submissão,
Apenas respeito, apenas ser humano.
A igualdade não é
um favor,
É o direito nobre, do mais puro valor.
Karla Moura

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